Eu te amo porque você usa peruca. Eu não deveria ter essa informação, pois o combinado foi você entrar e eu permanecer do outro lado do Glory. Mas, num ímpeto, no final, quis te dar um oi e me apresentar. Você rapidamente pegou a peruca que estava no sofá e a colocou no topo da sua cabeça. Se esse é o fato escolhido para me declarar para você, não é pela exposição ou ridicularização de algo, mas é porque me pareceu um momento de constrangimento, e isso me comoveu. Eu te amo porque não há problema algum em ser careca ou calvo, e também não há em querer fazer algo que te faça se sentir melhor com a sua aparência. Vivi uma vida inteira tentando disfarçar as marcas de acne de uma adolescência severa e me sentia preterido por tê-las. Só fui conseguindo minimizar o tamanho desse fardo quando falei mais sobre ele, não deixei que ele fosse um nervo em qualquer ato da minha vida. Não o conheço, não sei o quanto isso toma do seu tempo. Mas eu te amei porque dividi contigo segundos de constrangimento por algo que não deveria ter sido visto, mas que na hora me tornei empático pelo ato falho.