Eu te amo porque você mora longe. Não é no mesmo bairro, nem na mesma cidade ou estado. Você voltou poucas vezes para cá, mas sempre foi bom. A ponto de parecer que nos vemos sempre. Eu te amo porque você se mostra marrento, mas se derrama em segundos quando nossa pele se encontra. Você diz odiar SP, não ver a hora de ir embora, enquanto ficamos grudados e nossos corpos dizem o contrário. Ou talvez estejam de acordo, porque a cidade não tem a ver com a morada dentro um do outro. Eu te amo porque eu não sabia que você toparia participar disso, mas depois de um tempo acolchoados você apontou para o Glory Hole e disse: “vamos gravar?” Eu gosto de ter esse vídeo registrado da nossa intimidade, pois nos gemidos compassados evidenciamos o mesmo signo e a mesma vontade. Seria bom dividir mais vida conjunta, mas aproveitamos ao máximo o que dá. E se começo dizendo que eu te amo pela distância, é porque é justamente ela que faz a gente criar tantas hipóteses baseadas em idealizações, e isso eu acho gostoso, como faz com que cada retorno seja um romance primaveril com hora emocionada pra acabar. Curtimos grandes paixões. Te amo na ausência e principalmente na presença.