Declarações de Amor por um Glory hole – 40/100

Eu te amo porque você tem piercing genital. Essa peça localizada ali sempre foi alvo de curiosidade. Qual a sensação durante o sexo oral? E principalmente quando você é o passivo, como sente ele dentro? Eu te amo porque com você consegui ser didático nas sensações, pois fui tateando pouco a pouco para localizar onde estava o prazer. O que é o atrito entre o metal e a pele? O que difere do fluido que escorre pelos poros da carne ou no objeto liso? Observei que existe um apelo muitas vezes mais estético do que sensorial, pois quando se é penetrado a informação tátil desaparece, ficando apenas a memória de que existe algo diferente ali. Talvez no oral a visualidade ofereça mais sensações, pois se vê o furo, o local da glande em que a joia transpassa, e assim, com a língua tateando, sente-se melhor a mudança de temperatura, a profusão do estéril metal em irmandade com o pulsar quente do membro. Lembro-me, enquanto jovem, que li o livro de Ballard chamado Crash, que originou o filme do Cronenberg. Ali ele funde o sexo com acidentes de carro, onde a própria estrutura mecânica das peças automobilísticas se equipara à anatomia do corpo humano. Eu te amo porque você me deixou envolver-me com um possível parafuso que faz parte da arquitetura do seu tesão.