Eu te amo pelo seu prepúcio. Quando eu era criança, em um momento pré-internet, eu não tinha a informação do que era uma circuncisão. Mas rolava o boato entre amigos que existia uma operação para retirar o prepúcio. Na minha família, nunca ninguém falou sobre isso. E eu não sabia se tinha ou não. Mas que talvez, em algum momento, as pessoas tivessem que operar. Eu te amo porque você veio com ele inteiro coberto, o que demandava um tipo específico de aproximação. A minha graça em fazer esse projeto sempre foi lidar com os diferentes formatos e sensibilidades. E ali, sem ver seu rosto, eu entendi que a sua anatomia propunha uma outra relação com a cabeça do membro. Eu te amo porque contigo talvez tenha errado, às vezes acertado, mas experienciamos o ato nas suas adaptações. Em alguns casos, a glande consegue sair, mas no seu eu não entendia se o fato dela não sair não te dava prazer. E a minha ignorância bugava os gestos rotineiros de propiciar tesão ao outro. Eu te amo porque, pela sua condução e principalmente porque eu também te senti pós-circuncisão e agora sei na prática o que as difere.