Eu te amo porque fico pequeno com você. Quando deito no seu peito, sinto minha cabeça bem menor do que ela é. Quando você me invade, sinto meu orifício mais apertado. Quando você me olha, me compacto. Não só seu corpo é bem maior que o meu, mas a sua atitude de dominador faz com que eu mude a proporção. Estranhamente, consigo ter visões fora do meu corpo. Me enxergo acordando de madrugada para te servir porque você quer relaxar ou escolho a cor da calcinha que você prefere. Eu não gosto de ser submisso; prefiro uma relação carinhosa e relaxada, mas aventurar-me contigo nessa ficção me parece sempre instigante. Tem algo nos nossos diálogos que propõe desafios, quebras de braço. Sempre que venho com uma frase irônica, você a desmonta com perguntas embaraçosas, e eu gosto. Me animo com suas visitas e com a sensação de que você cuida de mim, apesar do jeito cheio de marra. Eu te amo porque me declarar para você não é de bom tom; você vai fazer um olhar de dúvida, mas eu continuo te amando apesar dos jogos psicológicos, da inadequação das falas e do profundo desejo de querer te servir. Me chama daquilo.