Eu te amo porque você tem aflição de toque prolongado. Sempre tento justificar que meu desejo pós-sexo oriunda da minha lua em Câncer. Uma necessidade de carinho e grude. Nos aplicativos, um dos nomes que mais uso é Cafuné. Eu sei que você não foge da cama após o coito, porém me explicou seu pane quando a mão escorrega no seu corpo sem a pressão necessária. Eu te amo porque está imbuído em você uma agonia, mesmo sabendo de um vínculo com o prazer. Tem algo de aflitivo que foge das explicações tradicionais. No último encontro, você me contou histórias de amizade e sexos furtivos em que essa barreira criou situações curiosas e eu te contei da minha fobia com correntes. Eu te amo porque você é doce e, apesar dessa sua interdição querer recusar algo tido como romântico, você insiste na delicadeza. Mas é aí que vem a beleza da sua contradição. Essa corporeidade ouriçada que teme pelo deslizamento de mãos, em contraponto com a sua doçura, cria esse mix de repulsa e atração. Eu te amo porque, mesmo você não sabendo explicar exatamente o porquê de continuar deitado depois que termina o sexo a fim de desenvolver intimidade.