Eu te amo porque você não quis me beijar. As duas vezes que acompanhei seu processo masturbatório, no final ou no início, você recusou meu beijo. Eu ia de maneira carinhosa ao encontro do seu rosto e você se esquivava. Chupar sim, beijo não. Sempre pensei nessas recusas como algo ruim, mas você se mostrava tão de boa com tudo que comecei a relativizar. A crise não era por alguém não querer me beijar, é que para mim o beijo era meio a continuação natural daquilo que fazíamos ali e me surpreendia por ele não acontecer. Mas o que tem de natural um convite para um projeto de Glory hole em que se separa o membro do resto do corpo? O beijo não deveria ser nem uma possibilidade. Abusado fui eu de sair de trás do compensado de madeira para estabelecer outros vínculos. Eu te amo porque você, na primeira vez, recusou; daí pensei que não tinha curtido a experiência, mas depois voltou. Daí concluí que o que não rolava era só o beijo mesmo. Assim diminui a importância desse gesto. Eu te amo porque conheço outros fluidos seus, mas nunca a sua saliva.